Causas, sintomas e tratamento
Sentir desconforto na virilha ao realizar movimentos simples como agachar, amarrar os sapatos ou praticar esportes pode parecer algo passageiro.
Mas, quando esse incômodo se repete com frequência e começa a limitar sua rotina, pode ser sinal de um problema ainda pouco conhecido: o impacto femoroacetabular.
O que é o Impacto Femoroacetabular?
O impacto femoroacetabular é uma alteração estrutural na anatomia do quadril.
Em um quadril saudável, a cabeça do fêmur se encaixa perfeitamente no acetábulo (a parte do osso do quadril que forma a cavidade articular), permitindo movimentos suaves e sem atrito.
Já no IFA (sigla de impacto femoroacetabular), há um desencaixe ou excesso de osso em uma ou ambas as estruturas, o que causa conflito mecânico durante os movimentos.
Esse impacto repetido entre as partes ósseas leva a um desgaste progressivo da cartilagem e do labrum acetabular — uma estrutura que atua como amortecedor e estabilizador do quadril.
Ao longo do tempo, essa sobrecarga pode resultar em lesões dolorosas e inflamatórias.
O impacto femoroacetabular afeta principalmente jovens ativos e atletas, e está entre as principais causas de dor no quadril em pessoas com menos de 40 anos.
O IFA, como é conhecido, pode comprometer não só a mobilidade, mas também a integridade da articulação com o passar do tempo — e se não tratado, aumenta consideravelmente o risco de desenvolver artrose precoce.
Quais são os tipos de IFA?
O impacto femoroacetabular é classificado de acordo com a origem da alteração anatômica:
- Tipo CAM: ocorre quando há uma protuberância na junção entre o colo e a cabeça do fêmur, o que dificulta a rotação da articulação e causa atrito com a borda do acetábulo.
- Tipo PINCER: acontece quando o próprio acetábulo é mais profundo ou se projeta além do normal, encobrindo a cabeça do fêmur de forma excessiva e gerando o impacto.
- Tipo MISTO: é a forma mais comum, combinando alterações tanto no fêmur quanto no acetábulo.
Independentemente do tipo, o problema é mecânico e tende a se agravar com atividades que exigem maior amplitude de movimento do quadril.
Causas e fatores de risco do Impacto Femoroacetabular
O IFA geralmente tem origem no desenvolvimento ósseo da adolescência e pode ser influenciado por fatores genéticos ou atividades físicas intensas durante a fase de crescimento.
Além disso, existem alguns fatores de risco que podem favorecer o surgimento ou agravamento do impacto femoroacetabular:
- Esportes com movimentos de rotação e flexão profunda, como futebol, dança, artes marciais e crossfit;
- Histórico familiar de alterações do quadril;
- Displasia do quadril não diagnosticada na infância;
- Lesões prévias na articulação.
Por afetar principalmente pessoas jovens e ativas, o diagnóstico precoce é fundamental para preservar a articulação.
Sintomas do Impacto Femoroacetabular
Os sintomas do IFA podem se instalar de forma gradual, sendo confundidos com outras causas de dor musculoesquelética. É comum que os pacientes demorem a buscar atendimento do especialista em quadril, o que pode levar a complicações mais severas.
Entre os sinais mais frequentes, se destacam:
- Dor na região da virilha, especialmente ao flexionar ou rodar o quadril;
- Estalos ou travamentos ao movimentar a articulação;
- Redução da mobilidade;
- Sensação de “pinçamento” ao sentar ou levantar;
- Dor que piora após exercícios físicos.
Com o tempo, a dor pode irradiar para a coxa, nádegas ou joelho, dificultando atividades simples do dia a dia.
Tratamento do impacto femoroacetabular
O tratamento do IFA pode variar conforme a gravidade do caso, o tipo de impacto e o estilo de vida do paciente.
O objetivo principal é aliviar os sintomas e prevenir o desgaste progressivo da articulação, evitando prejudicar a mobilidade do paciente.
Tratamento conservador
É indicado nos casos leves ou moderados e inclui:
- Fisioterapia com foco na reeducação de movimento, fortalecimento muscular e melhora da mobilidade;
- Modificação das atividades físicas para evitar sobrecarga;
- Uso de anti-inflamatórios em períodos de dor aguda;
- Infiltrações articulares, se necessário, para alívio temporário dos sintomas.
Tratamento cirúrgico
Quando os sintomas persistem e há risco de lesões estruturais maiores, a artroscopia do quadril é uma opção eficaz. Esse procedimento minimamente invasivo permite:
- Remodelar as estruturas ósseas que causam o impacto;
- Reparar ou suturar o labrum lesionado;
- Tratar lesões na cartilagem.
O retorno às atividades esportivas pode ocorrer em poucos meses, com bons índices de sucesso quando a cirurgia é realizada precocemente por um especialista em quadril.
Por que procurar um especialista em quadril?
O impacto femoroacetabular é uma condição que pode passar despercebida até que o dano à articulação já esteja instalado.
Por isso, procurar um ortopedista especialista em quadril ao primeiro sinal de dor persistente é a melhor forma de evitar consequências como artrose precoce e limitação de movimentos.
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